Inflação no Brasil: como isso reflete nos preços?

Provavelmente você já ouviu falar que a inflação no Brasil fechou 2021 com um dos maiores índices desde 2015, mas você sabe como isso reflete nos preços e afeta seu bolso?

Diversos fatores estão diretamente ligados ao aumento da inflação, e com isso, há uma perda de valor do dinheiro e pessoa compra cada vez menos produtos.

Se ainda está parecendo um pouco confuso, vamos explicar o que é inflação, qual a relação com os preços dos produtos e serviços e como isso afeta o seu bolso.

O que é inflação?

inflacao no brasil

Apenas para entender o conceito: vamos supor que você foi ao supermercado e gastou $150,00 para comprar leite, arroz, macarrão e frango.

No mês seguinte, você voltou ao mercado e comprou exatamente as mesmas coisas, mas gastou R$ 200,00.

Ou seja, as coisas subiram de preço, e isso que é inflação, que designa o aumento generalizado de preços de bens e serviços.

Por consequência, há o aumento do custo de vida e redução do poder de compra do dinheiro.

O IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -, indica a variação dos preços de um conjunto de serviços e produtos para o consumidor final.

Todos os meses, o IBGE calcula o IPCA, com base em produtos e serviços consumidos pelas famílias. E assim, é possível saber se os preços diminuíram, aumentaram ou se mantiveram estáveis.

Para isso, são pesquisados:

  • Alimentação e bebidas;
  • Despesas com habitação, como gás e energia elétrica;
  • Transporte;
  • Eletrodomésticos e mobiliário;
  • Vestuário;
  • Educação;
  • Serviços médicos;
  • Lazer;
  • Medicamentos;
  • Comunicação, por exemplo, telefonia celular e internet.

Para calcular a inflação no Brasil, considera-se famílias com renda de um a 40 salários mínimos, e o IBGE faz um levantamento mensal em 13 áreas urbanas do país, de aproximadamente 430 mil preços em 30 mil locais.

Todos esses preços são comparados com os preços do mês anterior, resultando em um único valor, que reflete a variação geral de preços ao consumidor no período.

Quanto está a inflação no Brasil?

Em 2021, a inflação fechou a 10,06%, maior índice desde 2015, contra 4,52% no ano de 2020.

Segundo a meta estabelecida pelo Banco Central, o resultado ficou muito acima do esperado, que era de 3,75%, mesmo levando em consideração a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima.

O grupo transportes teve o maior peso no resultado do ano, de acordo com o IBGE, com a maior variação (21,03%) e o maior impacto (4,19 p.p) no período.

Em seguida, vieram habitação (13,05%) e alimentação e bebidas (7,94%).

Assim, transportes, habitação, alimentação e bebidas foram os responsáveis por cerca de 79% da inflação no ano de 2021.

Quais os fatores que aumentam a inflação?

Segundo economistas, alguns fatores têm relação direta com aumento da inflação no Brasil, e os principais são:

Crise hídrica

A escassez de chuvas, reservatórios com níveis baixos e maior demanda de energia acarretaram a pior crise hídrica vivida no país nos últimos 91 anos.

Com a falta de água, as termelétricas precisaram ser acionadas, e com isso, houve o aumento da energia elétrica em 21,21%.

O gás de botijão subiu todos os meses de 2021, tendo um alto impacto na inflação.

Combustíveis

Outro fator considerado um dos vilões foi o preço dos combustíveis, que teve um impacto significativo na alta da inflação.

Segundo o presidente do IPCA, “os sucessivos reajustes nas bombas, a gasolina acumulou alta de 47,49% em 2021. Já o etanol subiu 62,23% e foi influenciado também pela produção de açúcar”.

Dólar

Com o aumento do dólar, os investidores estrangeiros deixaram de investir no Brasil, retirando milhões do mercado.

Alimentos

O impacto da alta do dólar também afetou o preço dos alimentos, e ficou muito mais vantajoso exportar do que vender para o mercado interno.

Dessa forma, houve uma redução na oferta, promovendo a subida dos preços.

Por exemplo, o café moído subiu 50,24% e o açúcar refinado teve alta de 47,87%.

No caso do preço do café, a alta pode ser explicada em razão das geadas de inverno.

Como a inflação afeta os investimentos?

Quando você vê que um investimento rende 10% ao ano, esse valor é um retorno bruto sem qualquer desconto.

Mas ao analisar os investimentos, é necessário descontar impostos, taxas, custos e a inflação, para chegar ao que os economistas chamam de rentabilidade real.

E com o desconto de taxas e impostos, encontramos a rentabilidade líquida. E depois, com o desconto da inflação, chegamos na rentabilidade real.

E essa rentabilidade real líquida é o que interessa, pois significa o quanto seu rendimento aumentou em poder de compra.

 

É possível controlar a inflação?

Então, o governo federal não tem controle sobre a inflação, no entanto, adota algumas medidas, como é o caso da taxa Selic, que é determinada pelo Banco Central.

É uma ferramenta usada para controlar a inflação, pois ao aumentar os impostos, os preços também sobem, por consequência, há uma redução de moeda, o que afeta a demanda, logo, a inflação.

Portanto, ao aumentar a Selic ou mantê-la estável, permite conter o aumento do IPCA.

A longo prazo, essa estratégia controla a inflação por gerar menor demanda, dessa forma, uma oferta mais barata.

Agora que você já entendeu tudo sobre inflação no Brasil, saiba que quando controlada, mostra que a economia está aquecida e isso é saudável para um país, e nesse caso, a inflação não é ruim.

Isso vai atrair investidores, o que por sua vez vai injetar dinheiro no país, o que é ótimo.

A inflação só é ruim quando está fora de controle, o que afeta o bolso de todos, especialmente por diminuir o poder de compra!

 

 

 

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